Golpe usa nome da Defensoria Pública e voz clonada para enganar vítimas no RS; entenda como funciona

  • 18/08/2026
(Foto: Reprodução)
Golpe usa nome da Defensoria Pública e voz clonada para enganar vítimas no RS Criminosos estão utilizando informações de processos judiciais, mensagens que aparentam ser oficiais e até vozes clonadas de defensores públicos para aplicar golpes em pessoas atendidas pela Defensoria Pública no Rio Grande do Sul. A Polícia Civil do RS investiga pelo menos cinco casos. Em alguns casos, as vítimas recebem a falsa promessa de indenizações milionárias. Em outros, são convencidas a clicar em links que dão acesso ao celular e a contas bancárias. De acordo com os investigadores, casos semelhantes já foram registrados em pelo menos outros quatro estados. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A fraude tem características semelhantes ao golpe do falso advogado. Quando fazem contato, os golpistas já conhecem detalhes dos processos e dados pessoais dos assistidos, o que ajuda a dar credibilidade à abordagem. Uma das vítimas procurou a Defensoria Pública para conseguir uma vaga em creche para o filho de cinco anos. Depois de obter a matrícula, recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como defensor público e afirmou que era necessário concluir o processo. Segundo ela, o suposto servidor disse que seria preciso realizar um depósito e acessar um link enviado pelo celular. Ao clicar, a mulher entregou aos criminosos o controle do aparelho, incluindo o acesso aos aplicativos bancários. "Ele ligou dizendo que era defensor público e que queria fechar o processo do meu filho menor", relata a mulher que não foi identificada pela reportagem. A vítima perdeu R$ 899, quantia que representava cerca de um terço do salário dela e que estava reservada para o pagamento da prestação da casa própria. "Eu não atinei. Sabe quando tu não entende as coisas e vem tudo muito rápido? Eles começam a te pressionar e te mandar mensagem. Automaticamente quando zerou a minha conta, ele desligou", conta. Conforme a Defensoria Pública, nenhum valor é cobrado pelos serviços oferecidos à população. "A Defensoria Pública não cobra pelos serviços. Ela não cobra nenhum tipo de honorário, nem nenhum tipo de despesa em razão do serviço da Defensoria", afirma o assessor de segurança institucional da instituição, Coronel Gilson Wagner. Segundo o Coronel, relatos desse tipo de golpe chegam à instituição cerca de uma ou duas vezes por semana. Nesses casos, de acordo com ele, os criminosos costumam informar que a vítima tem valores a receber em processos judiciais e exigem o pagamento de taxas para liberar o suposto dinheiro. Áudios falsos simulam defensores públicos Outra estratégia adotada pelos criminosos é o envio de mensagens de áudio que simulam a voz de defensores públicos. Em uma das gravações, a vítima é informada de que teria direito a receber uma indenização superior a R$ 124 mil após uma suposta decisão favorável da Justiça. Os golpistas utilizaram a voz do defensor público Felipe Kirchner, dirigente do Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas. "Eu mesmo, quando eu escuto isso, a voz é muito parecida com a minha. A gente percebe que tem algum tipo de padrão ali que fica meio robotizado, mas é muito parecida mesmo", diz Kirchner. Em outro áudio, o falso defensor convida a vítima para participar de uma audiência virtual, em uma tentativa de reforçar a aparência de legitimidade da fraude. Segundo Kirchner, os golpes vêm incorporando recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. "Colegas, defensores e advogados estão recebendo também esse tipo de golpe, não só com a produção de vídeos, mas o que é incrível, eles emulam avatares em conversas online, ao vivo", afirma. Inteligência Artificial facilita as fraudes Para o analista de segurança da informação Cristiano Goulart Borges, a popularização de ferramentas de inteligência artificial tem contribuído para o avanço desse tipo de crime. "Não são super tecnologias. Inteligência artificial e modelos que são utilizados no dia a dia, que podem ser acessados de forma barata", explica Borges. Em São Sepé, na Região Central do Estado, uma aposentada de 79 anos quase caiu no golpe após receber mensagens que aparentavam ter sido enviadas pela Defensoria Pública. "Me mandaram a mensagem como se fosse a Defensoria. Tudo parecia que era real", diz a aposentada que não teve a identidade divulgada. Nesse caso, os criminosos tentavam obter acesso à conta da vítima no aplicativo gov.br. "Foi um susto muito grande. Eu fiquei muito, muito ruim. Agora eu isolei o telefone, não atendo mais nada", relatou. A delegada Luciane Bertoletti orienta que qualquer solicitação de dinheiro ou de acesso a contas e aplicativos deve ser tratada com desconfiança: "Nesse caso, desconfie imediatamente. Caiu no golpe, procure imediatamente a delegacia de polícia e registre sua ocorrência", pontua. O analista de segurança reforça que, diante de pedidos suspeitos, a recomendação é interromper o contato e buscar confirmação diretamente com o profissional ou órgão responsável pelo processo. "Desliga o telefone e liga para a pessoa que realmente te pediu o dinheiro. Liga para o advogado, liga para quem efetivamente tu estava tratando anteriormente para verificar se aquela informação realmente procede", orienta Borges. Mulher usando o celular Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/18/golpe-nome-defensoria-publica-voz-clonada-enganar-vitimas-rs-entenda-como-funciona.ghtml


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