Tatuador é preso por suspeita de estupro no RS; polícia investiga 19 casos de crimes contra mulheres
30/07/2026
(Foto: Reprodução) Tatuador é preso por suspeita de estupro em Torres, no Litoral Norte do RS
O tatuador, corretor de imóveis e músico Vinicius Roig, 47 anos, morador de Torres, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (30), por suspeita de estupro. Segundo a Polícia Civil gaúcha, Roig foi detido em um apartamento locado por meio de aplicativo em Balneário Camboriú, litoral norte de SC, e não apresentou resistência.
Um relato de violência doméstica feito por uma professora de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, trouxe à tona outros casos suspeitos. Depois de romper o relacionamento e compartilhar nas redes sociais o que teria vivido, Michele Duarte recebeu o apoio da irmã do ex-companheiro.
A publicação desencadeou mobilização de outras mulheres — na Polícia Civil, há 19 ocorrências em nas quais Roig aparece como suspeito nos últimos dois anos. Há registros em Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha.
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Em poucos dias, uma página criada nas redes sociais passou a reunir relatos de mulheres que afirmam ter se relacionado com o mesmo homem.
Segundo o MP, são investigados relatos de agressões físicas, humilhações, perseguição, violência psicológica e violência sexual.
O MP já denunciou Roig três vezes por crimes cometidos contra a mulher nos municípios de Torres e Sapucaia do Sul: a primeira denúncia foi oferecida em 1º de setembro do ano passado. A segunda foi protocolada em 1º de abril. A terceira denúncia foi apresentada em 9 de junho — conforme o MP, as ações aguardam análise do Judiciário.
"A repercussão pública ocorreu agora em razão das manifestações e denúncias divulgadas nas redes sociais. Contudo, é importante destacar que o Ministério Público já vinha atuando no caso desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos", afirma o promotor de Justiça de Torres Márcio Roberto Silva de Carvalho.
O promotor complementa que a detenção era necessária para proteger as vítimas e evitar novos episódios de violência.
“A prisão preventiva mostrou-se necessária diante da gravidade dos fatos investigados e dos elementos reunidos ao longo das apurações. Trata-se de uma medida destinada a proteger a ordem pública, resguardar a integridade das vítimas e garantir a aplicação da lei”.
As denúncias do MP
Conforme a primeira denúncia do Ministério Público, em 3 de julho de 2025, o investigado compareceu em frente ao prédio onde a vítima residia, em Torres, fez ameaças e arremessou pedras contra o edifício, atingindo vidraças. Segundo a acusação, ele afirmou que quebraria todos os vidros do apartamento e mataria a vítima e outro homem que encontrasse com ela.
A violência psicológica contra a mulher motivou a segunda denúncia. Conforme apurado, a vítima teria sido submetida a sucessivos episódios de humilhação. A terceira e mais recente denúncia trata dos crimes de descumprimento de medidas protetivas de urgência, crime de perseguição (stalking) e um novo episódio de violência psicológica.
A Polícia Civil também investiga o caso. Segundo a instituição, há 19 ocorrências em que Vinicius aparece como suspeito nos últimos dois anos. Há registros em Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha.
‘É o príncipe dos meus sonhos’
Michele conta que o relacionamento começou de forma que parecia promissora.
"Ele abria a porta do carro, que nunca ninguém abriu pra mim, era gentil, educadíssimo. De uma elegância que você dizia assim: é o príncipe dos meus sonhos."
Segundo ela, o namoro se transformou rapidamente em episódios de violência.
“Ele destruiu meu rosto. […] Eu olhei meu corpo cheio de marca, de hematomas. Todo doído, todo.”
Depois de terminar o relacionamento, Michele decidiu publicar mensagens sobre violência doméstica nas redes sociais — e fez ocorrência na Polícia Civil. O relato chamou a atenção de Juliana Roig, irmã de Vinicius.
Juliana compartilhou a história e afirmou que acreditava na professora. Depois disso, segundo ela, outras mulheres começaram a procurar a página chamada Verdade Seja Dita.
"A gente nunca imaginou que as coisas fossem tomar essa proporção, porque começaram a surgir dezenas de mulheres com relatos brutais, muito impactantes."
Ministério Público acolhe mulheres
A mobilização nas redes sociais chamou a atenção das autoridades. Em Porto Alegre, cidade onde Vinicius também atuava profissionalmente, mulheres foram acolhidas pelo Ministério Público por meio do Espaço Bem-Me-Quer.
Segundo Carla Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas do MPRS, algumas mulheres relataram episódios ocorridos há décadas e decidiram procurar as autoridades depois de acompanhar a mobilização.
"Nós temos vítimas que, a partir dessa primeira denúncia, a partir da criação dessa página, conseguiram então denunciar e fazer a ocorrência."
A Promotoria fez um levantamento dos casos suspeitos contra Vinicius. Além dos relatos publicados na página, foram consultados registros anteriores.
"São mais de 20 vítimas nesse primeiro momento. Não só pelos relatos na página do Instagram, mas também em consulta a todo histórico, registros anteriores contra ele", afirma a promotora.
Procurado, o Tribunal de Justiça afirmou que "Em razão do segredo de justiça que recai sobre os processos, não é possível prestar informações ou divulgar detalhes relacionados ao caso neste momento".
Polícia Civil investiga suspeita de estupro
Em Torres, a Polícia Civil abriu uma investigação contra Vinicius por suspeita de estupro contra a última ex-companheira.
O delegado Marcos Veloso afirma que o trabalho, neste momento, é reunir provas e ouvir as mulheres que procuraram as autoridades.
"A gente precisa acolher essas vítimas da melhor maneira possível pra que elas relembrem essas histórias muito pesadas para elas, mas que a gente precisa fazer algumas perguntas para fazer a devida instauração dos inquéritos policiais."
Investigado contesta informações
Nas redes sociais, Vinicius publicou um texto em que afirma reconhecer que existem acontecimentos que precisam ser enfrentados com seriedade. Ao mesmo tempo, diz que muitas informações que passaram a circular não correspondem à realidade, apresentam distorções ou foram retiradas de contexto.
Ele também registrou ocorrência contra as mulheres por calúnia e tentou retirar a página do ar por meio de uma ação judicial.
A Justiça negou o pedido liminar. Na decisão, a juíza afirmou que as manifestações publicadas no perfil não foram produzidas "no vácuo" e que há "substrato fático concreto" que lhes dá suporte.
As investigações da Polícia Civil continuam, e o Ministério Público acompanha os relatos apresentados pelas mulheres.
Para Juliana, a mobilização não é vingança. "A gente não pensa em vingança. A gente pensa em justiça. Porque isso tem que ser parado."
Michele, que tem medida protetiva contra Vinícius, diz que nunca imaginou que a história chegaria às redes sociais. Agora, espera que os relatos tenham consequência.
"Não imaginava parar nas redes. Mas, já que parou, quero justiça. Quero que a Justiça cumpra o papel dela", conclui.
O g1 tenta contatar a defesa de Roig para manifestação.
Vinicius Roig, 47 anos, foi preso preventivamente
Arquivo pessoal
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